terça-feira, 17 de novembro de 2009

A guerra ainda não acabou.

Foto: Internet


A comunidade negra de todo o país se prepara em grande estilo para o feriado da consciência negra, comemorado no dia 20/11. A data traz a memória o grande mártir do movimento negro, Zumbi do Palmares e sua luta para conquistar um sonho de liberdade do povo negro. Zumbi foi um grande guerreiro que lutou contra a escravidão de seu povo. Empenhou todas as suas técnicas militares adquiridas para estruturar um exército indestrutível de quilombolas contra as investidas do governo que não aceitava uma comunidade de negros livres. Depois de várias vitórias por seu ideal Zumbi acabou sendo traído por um dos seus e seu corpo foi entregue ao governo. Nasce assim o maior ícone de liberdade negro, contrariando todas as teses que afirmam o beneplácito da princesa Isabel. O que ela fez ao assinar a lei áurea foi um ato inevitável, tendo em vista ser o Brasil o último país a decretar o fim da escravidão e isto depois de várias “formas” de liberdade (Leis do ventre livre, sexagenário, etc.).

Imagine um povo que sempre foi escravo. Seus hábitos, costumes, todo um estilo de vida de alguém que não tem direito a absolutamente nada. Este povo não se preocupa com o pagamento de dívidas, compras do mês, vida profissional e cuidado médicos. Agora imagine este mesmo povo sendo livre de uma hora pra outra sem nenhum tipo de apoio a inclusão ou nenhum outro tipo de cooperação. Foi o que aconteceu com os negros. A liberdade tão sonhada transforma-se agora em um pesado julgo. Não puderam usufruir nada que construíram por toda a vida mas tiveram que assistir todo o seu trabalho nas mãos dos senhores de engenhos e seus filhos. Este é o maior motivo da desigualdade racial do Brasil, tomando-se por base apenas os 120 anos da abolição. Atente para o grande percentual de negros muitos pobres, mendigos, moradores de morros e favelas. Quantos negros você conhece que cursam ou cursaram uma universidade, comparando a quantidade de alunos brancos. É como se uma corrida de Fórmula 1 tivesse início mas com um carro saindo 20 segundos depois dos demais, tendo enorme desvantagem. É bem verdade que hoje existem tentativas de abrandar esta desvantagem mas todas procuram uma solução em curto prazo e não resolvem o problema. O benefício das cotas contribui para o acesso de muitos jovens a universidades mas se o ensino básico não for reformulado este benefício se transforma em favor.

“O Rio é uma cidade de cidades misturadas”. A canção diz por si só. O grito de liberdade de Zumbi ainda ecoa pelos quatro cantos desta nação mas hoje a liberdade que buscamos é a liberdade para a igualdade. O negro brasileiro quer ser igual, ou melhor. Veja os papéis de negros nas novelas. Em sua maioria escravos, faxineiros. É uma questão tradição cultural que precisa acabar. A luta de Zumbi continua
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Salve o apagão. Santo apagão.



O Rio de Janeiro e mais 19 estados dos Brasil tiveram, nesta noite de terça-feira uma falta geral de energia. Ainda não se sabe o motivo concreto do “apagão” mas o ministro Lobão, de Minas e Energias confirmou nesta manhã a Band News que o problema não foi na geração de energia mas sim na sua transmissão.

Eu, no momento da falta de energia estava em casa fazendo um trabalho da faculdade sobre neoliberalismo e obviamente não consegui terminar. No rádio inúmeras informações de qual o causador do problema. As pessoas se mostraram preocupadas com assaltos em massa nas ruas e o calor, que no Rio não tem dado trégua. Em dado momento percebi que estava na sala com meu pai, por volta de 23h00 ouvindo rádio e conversando. Isto raramente aconteceria neste horário porque sempre estou na internet lendo meus emails, alimentando meus canais de informação ou fazendo alguma outra coisa diferente do que fiz. Neste momento percebi a quanto uma falta de energia é necessária para a permanência da vida em sociedade e da família como célula desta.

Com certeza nossas vidas estão em marcha acelerada em todo o tempo. Vivemos em um mundo competitivo e globalizado onde a quantidade de coisas que você faz ou não podem determinar seu futuro e justamente por isto não paramos. Estas coisas são necessárias mas o “apagão” é essencial. É preciso se relacionar, conversar e não se prender a uma vida de MSN e orkut. Eu pergunto o que você fez na falta de energia? Você conversou com seus pais ou filhos? Leu um bom livro a luz de velas? Pensou em atitudes que precisa tomar? Você faria isto se nada tivesse ocorrido?

A verdade é que somos hipócritas demais para admitir que temos uma vida desligada das coisas imateriais. Nossas prioridades estão sempre em primeiro lugar mas eu sei que nesta última noite um filho ouviu o problema de um pai, um amigo ligou para o outro que não falava há tempos. É preciso uma falta de luz para que a “claridade” volte.

Faço uma conclamação a todos: Comentem aqui registrando o que vocês fizeram na noite de terça, durante a falta de energia. Seja bem detalhista mesmo. Relate onde estava e o que você fez e vamos medir isto.

Forte abraço a todos e não esqueçam: INTERVALO CULTURAL nesta sexta-feira no auditório da Faculdade Pinheiro Guimarães, as 20h20. Vou falar um pouco sobre minha vida na música e sobre o cd que esta chegando, além de interpretar algumas canções, acompanhado do meu amigo Hayala dj. Compareça, vai durar apenas 20min.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Até quando meu povo vai morrer assim?




Olá a todos.

Bem, estamos estreando o novo formato do blog. Nele a interação fica mais interessante, o que acaba sendo um dos meus maiores interesses. Conheça todos os tópicos novos como o Vídeos da Semana e o Informação ++. Estas atualizações ocorreram porque vocês existem, ok?

Tivemos,a duas semanas aqui no Rio de Janeiro uma verdadeira guerra urbana. Me refiro a invasão de guangues rivais ao morro dos Macacos e a interceptação da polícia, gerando mortes de inúmeras pessoas(30 no geral, incluindo 3 policiais) e a queda de um helicóptero da polícia. Além disto vários ônibus foram queimados em diversos bairros do Rio, como no Jacaré, tendo gerado assim horror e calamidade em toda cidade. Como se isto não bastasse um coordenador do Afroreeage foi sumariamente executado no Centro, quando passeava com amigos. Os bandidos levaram todos os seus bens mas tiveram que os entregar aos policiais que faziam a ronda e, por mais incrível que possa parecer, não foram detidos. Câmeras de prédios próximos registraram que, por algumas vezes o carro da polícia passou pela vítima, ainda viva mas ninguém o socorreu.

A área de inteligência da polícia informou que o grande suspeito dos ataques e da queda do helicóptero da polícia é Fabiano Atanásio da Silva que fugiu da prisão em 2002 após ser beneficiado pelo regime semiaberto. Estes anos já ocorreram vários casos de bandidos que receberam este benefício mas não retornaram a prisão.

A verdade é que o Rio de Janeiro sofre há algum tempo um processo de criminalização de forma acelerada. O governador Sergio Cabral e o secretário de segurança Beltrame defendem a opinião de que a polícia não pode se intimidar com incursões criminosas, chegando a dizer que a queda do helicóptero da polícia vai gerar uma ação policial de igual peso. O que me traz imensa preocupação é o fato de pessoas sem nenhum envolvimento com isto ter que pagar com suas próprias vidas. Não se percebe uma preocupação das autoridades com a vida inocente que, mesmo não sendo responsáveis por esta assolação pagam muitas vezes com a própria vida. Pessoas que são retiradas de dentro de suas casa e obrigadas a manter-se afastadas para preservar a sua própria vida. Uma mãe faleceu neste fim de semana ao ser atingida por uma “bala perdida” na comunidade Kelson’s, na Penha. O projétil atingiu também o bebe de 8 meses que carregava mas esta fora de perigo. O pai da criança, revoltado, diz que os tiros foram disparados pela polícia pois não havia nenhuma investida criminosa no local. Temos então um exemplo excelente de o que esta acontecendo com a segurança pública no Rio de Janeiro. Os moradores pagam o preço da retaliação da polícia mas, pelo que temos percebido isto não importa muito. A vida aqui esta a preço de banana e isto tem sido noticiado nos jornais de todo o mundo, como o Lê Monde de hoje, que faz uma dura crítica à polícia do estado quanto ao caso do coordenador do Afroreeage, já comentado aqui anteriormente. Este é o preço que o Rio paga por desejar sediar as olimpíadas de 2016, o centro das atenções do mundo.
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